AFCB - Voltando um pouco atrás, o que ainda está por fazer na AFCB?
MC - Ainda está por fazer muita coisa... Quando eu digo que a obra que queria deixar ainda não está pronta refiro-me ao facto de, em termos infraestruturais, ainda estarmos carentes. Estou convencido de que, a breve trecho, vamos conseguir, com a ajuda da FPF e da Câmara Municipal de Castelo Branco, fazer o centro de treinos que tanto necessitamos. Centro de treinos que dará uma grande ajuda ao desenvolvimento do futebol e do futsal no distrito.
Falta também implementar, definitivamente, competição de futebol de praia e veteranos do futebol e futsal.
AFCB - Algo para um próximo mandato!?...
MC - A competição de veteranos será ainda neste mandato. O futebol de praia depende muito da disponibilidade das câmaras municipais. Já lhes fiz ver as vantagens da prática do futebol de praia nas praias fluviais que existem nos seus concelhos e, por nosso intermédio, poderem ter nelas competições de futebol de praia, dando-lhes a vida que tanto as beneficiaria, até porque apenas precisam de uma infraestrutura, de alguma forma barata, e para a qual até existem fundos comunitários aos quais podem recorrer. O certo é que todas as câmaras municipais com as quais falei consideram boa e apoiam a ideia, mas não arrancam, não há ninguém que tome iniciativa. Continuarei a tentar que isso aconteça e, para ser sincero, tenho alguma esperança que irá ser brevemente.
AFCB - Que características tem de ter um presidente de uma associação de futebol?
MC - É um cargo que exige muita compreensão, por isso tem de ser, antes de tudo, um pacificador, uma pessoa que respeite e que se faça respeitar, que cumpra e faça cumprir os regulamentos e que, principalmente, se preocupe com os problemas dos clubes e dos
atletas. Ah... e que tenha disponibilidade de tempo. A atual conjuntura das Associações de Futebol exige dos líderes mesmo muito do seu tempo.
AFCB - Como concilia AFCB, futebol e família? É a tal questão do tempo...
MC - Três coisas fundamentais: A família está em primeiro lugar, obviamente. Tenho quatro netos com quem adoro brincar e passear e, claro, tenho as minhas responsabilidades em casa enquanto casado.
Depois, o serviço da AFCB que me ocupa a maior parte do tempo da semana e, muitas vezes, do fim-de-semana.
Por fim, tratar do meu património, nomeadamente da quinta, que ao mesmo tempo que tento conservar, serve de refúgio para alguns convívios com os melhores amigos.
Tudo é possível desde que saibamos aproveitar e repartir bem o tempo.
AFCB - O que é que costuma fazer na quinta?
MC - Na quinta trato da sua conservação, mas dou primazia ao olival, à vinha e aos medronheiros, que tento manter da forma mais ecológica possível.
AFCB - É o Manuel que trata disso tudo?
MC - Sou eu e, muitas vezes, o meus amigos.
AFCB - A quinta serve para esquecer futebol?
MC - O futebol e não só, muitas vezes serve também para esquecer os problemas pessoais.
AFCB - Vê televisão?... Canal 11?
MC - Canal 11, muito! De resto, tento ver todos os jogos mais importantes, nomeadamente os que dizem respeito ao clube do qual sou adepto. Gosto também de me atualizar enquanto cidadão vendo os noticiários e ainda de ver um bom filme.
AFCB - A FPF lançou em setembro o Canal 11... Que importância atribui ao nascimento de um canal com estas características, disruptivas, no panorama televisivo nacional?
MC - Para mim foi uma surpresa. Quando o Dr. Fernando Gomes começou a falar nisso nunca imaginei a consequência que ia ter junto dos espectadores. Estava tudo entregue aos canais privados, havendo canais e programas temáticos que abordam todas as modalidades, inclusiva e maioritariamente o futebol, acreditava pouco no sucesso. Mas, de facto, estou a ficar surpreendido por várias razões: As audiências têm sido extremamente altas; estão a acompanhar o Campeonato de Portugal, que foi muito bom para modalidade e para essa competição e têm feito um trabalho de investigação relativo ao nascimento, crescimento e implementação do futebol e futsal em várias zonas do país, tendo inclusive já realizado algumas reportagens e transmitido jogos no nosso distrito.
No seguimento dessa pergunta devo dizer que já falei com o presidente Fernando Gomes, bem como com os responsáveis de programas do Canal 11, relativamente à possibilidade da transmissão em direto de alguns jogos da Taça das Regiões da UEFA que será disputada em Castelo Branco, estando convencido que, atendendo ao trabalho que estão a desenvolver, irão compreender a importância dessas transmissões, acertar a grelha de programas e confirmar a nossa legitima intenção.
AFCB - Desde que é presidente da AFCB nunca nenhum clube do distrito esteve na primeira liga de futebol, é um sonho?
MC - Na primeira liga de futebol, não. Mas no futsal, quando aqui cheguei, já a Associação Desportiva do Fundão estava na primeira divisão. Mas sim, gostava muito de ver uma equipa de futebol na primeira liga. Temos no distrito equipas com qualidade suficiente para termos, pelo menos, uma na 1ª. Liga e, pelo menos, duas na 2ª liga.
Quanto ao sonho, é fazer crescer o número de equipas e atletas nas competições distritais e nacionais. Já somos um distrito que, sozinho, mete mais gente nos campeonatos nacionais seniores de futebol e futsal do que seis ou sete distritos juntos. Felizmente o nível competitivo no nosso distrito é altíssimo.
AFCB - Mas para haver muitas equipas nos campeonatos nacionais, haverá poucas equipas no distrital...
MC - Isto pode ser verdade, mas eu sinceramente não me importo absolutamente nada que as competições distritais sejam prejudicadas por esse fato. É o preço da qualidade e do bom trabalho que se faz no distrito.
AFCB - Para terminar, perguntas de resposta rápida…
Portugal, novamente Campeão Europeu?
MC - Eu coloco muitas dúvidas porque não tivemos sorte no sorteio. Contudo, reconheço valor para isso. Creio que o fator sorte vai ser determinante.
Quando fomos Campeões Europeus, em França, houve alguns jogos em que tivemos sorte e vamos precisar dela também no próximo europeu para renovarmos o título. Se conseguirmos passar a fase grupos, tudo é possível.
AFCB - Ronaldo ou Eusébio?
MC - Jogadores completamente diferentes, cada um como seu valor. Eusébio faz parte do passado, Ronaldo é presente.
Por ter vivido a minha juventude com o Eusébio no auge, ele era o meu ídolo, e por isso é-me difícil tirar da cabeça o Eusébio e colocar lá Ronaldo. Todavia reconheço, o que toda a gente reconhece, que Ronaldo é uma máquina imparável e que bate todos os recordes possíveis e imaginários.
AFCB - Ronaldo ou Messi?
MC - Ronaldo, indiscutivelmente!
AFCB - Qual é o melhor jogador de sempre?
MC - Coloco ao mesmo nível Maradona e Pelé. Eram jogadores diferentes, faziam coisas com os pés de autênticos artistas de circo.
AFCB – Para acabarmos em “chave d’ouro”...
Qual foi o melhor jogo que já viu?
MC - Não sei se foi o melhor em termos técnicos, mas o mais emocionante foi, sem dúvida, a final do EURO 2016, Portugal-França. Foi aquele que criou mais adrenalina. A saída do Ronaldo por lesão, os franceses a massacrar, nós a sofrer e depois... aparece aquele golo, inesquecível!